“(…) O mundo, infelizmente, é real; eu, infelizmente, sou Borges” (Jorge Luís Borges) Uma dos quatro afecções dos “humores” na antiga concepção greco-romana, a melancolia se destaca pela problemática que implica na existência humana. Enquanto dois dos temperamentos são uma forma de exacerbação do afeto - entusiasmo e raiva - afetos relacionadas à ação e outro, o fleumático, é caracterizado como apatia, ou ausência de afetos, a melancolia não é ausência do afeto, mas uma forma de afeto negativo que produz, muitas vezes, paralisia. A poética da melancolia aponta para uma inércia estática que com frequência parece mais afeita de uma questão filosófica do que emotiva, mas longe de ser uma apatia, há algo nela de profundo pesar. O melancólico parece sofrer com seus pensamentos de uma forma muito diferente da que ocorre na neurose-obsessiva - a atividade mental do obsessivo está repleta de fantasias, enquanto na melancolia talvez seja a própria ausência destas a causa de su...
Psicanálise & Literatura